Equipe trabalhando em protótipo

Ata da entrevista com comandante do corpo de bombeiros de Caxarias

Para uma boa idealização do projeto, deveremos ter sempre em conta a perspetiva de quem lida com os mesmos na linha da frente. Para validar a nossa solução, conversámos com o Comandante de Setor Tiago Rodrigues da Silva. O nosso objetivo foi claro: entender onde começa e acaba a autonomia robótica do nosso projeto e onde lidera a decisão humana num teatro de operações comum.

1 - O princípio norte do nosso projeto

A primeira lição foi sobre o lugar da tecnologia no teatro de operações do quartel. A resposta foi clara e simples: os meios tecnológicos não devem ambicionar ocupar o lugar do bombeiro e saber reproduzir todas as suas operações. Antes, deverão servir para assegurar a vida, otimizar as operações e contribuir positivamente da melhor forma possível em todas as ações do quartel.

"...porém estes costumam ser bastante úteis quando utilizados em contextos específicos que fazem sentido. Porém, um drone não substitui capital humano aplicado."

Ou seja, será melhor apostar na habilitação de tarefas já realizadas e apostar na sua robustez.

Como:

- Vigilância em possíveis focos de acendimento;

- Busca em perímetros críticos ou áreas muito extensas definidos;

Esta visão reforça a nossa aposta no desenvolvimento de firmware dedicado para a operação em cenários semelhantes. Ao desenvolver um ambiente onde os agentes autónomos possam circular, estes conseguirão assumir tarefas e concretizá-las de forma coordenada, sem o problema de falta de bateria.

2 - Limitações atuais e seus desafios

Apesar das suas vantagens, ainda existem grandes fatores que dificultam a aplicação destas tecnologias em cenários reais, como:

- A autonomia limitada das baterias;

- A segurança do espaço aéreo durante as operações de vários veículos;

"A autonomia revela ser o fator mais limitativo. A sua interferência no espaço aéreo também revela ser uma limitação para a sua operação normal. A autonomia deverá ser desenvolvida e os drones deverão ter, de alguma forma, de assegurar a integridade do espaço aéreo de outras aeronaves."

Estes pontos indicam falhas consideráveis que apresentam pontos interessantes a serem desenvolvidos. Um parâmetro em concreto que poderá solucionar estes problemas é a implementação de modos de menor consumo enquanto o drone não está em atividade (DEEP SLEEP), assim como modular o sistema de patentes do drone para que, se necessário, obedeça de imediato à ordem de aterrar quando um veículo aéreo prioritário se aproxima.

3 - Autonomia dos agentes e Hierarquia de Comando

O Comandante explicou que a autonomia deve seguir as ordens do comando de forma similar a como um batalhão as segue:

"Tudo isto, desde que as estações e os drones consigam deduzir de forma correta o procedimento subentendido a aplicar após uma ordem do comandante."

Porém, se quisermos desenvolver uma ideia nestes contextos, teremos que tomar em atenção a tomada de ações de certo drone quando este transmite ordens a outros drones subordinados à volta. Este nunca poderá, em circunstância alguma, gerar ordens contraditórias com as ordens do comando acima.

Dessa forma, a aplicação das estações como nós de encaminhamento é vantajosa. Nesse sentido, a proposta de utilizar as estações de carregamento como "relays" (repetidores) de informação foi validada como uma solução aplicável para manter o fluxo de dados mesmo quando a rede principal falha, porém que nunca substitui uma clara indicação de comando para as unidades presentes.

4 - O Paradoxo do excesso de Informação

Um dos pontos mais interessantes da entrevista foi o impacto do excesso de dados. No terreno, existem diversas fontes que apresentam indicadores para o mesmo contexto. Porém, dado que estas podem se contradizer regularmente, existe um impacto negativo para a tomada de decisão, pois estes dados não se apresentam suficientemente claros ou fidedignos.

"Sim. Existe ao ponto de gerar incerteza em certas decisões. Quando é pedida informação, esta vem de várias fontes que, por vezes, contradizem-se ou geram incerteza de como agir. (No caso dos Meteogramas, existem tantos que uma análise fidedigna não se mostra fácil)."

Um dos nossos focos será então simplificar também a cadeia, interpretação e consequência desta modelação de agentes para o cenário real de operações. O comando destes agentes deverá então ser simulado e testado de forma a que, quando um dos agentes apresenta informações, estas sejam claras e não redundantes ou de difícil leitura.

O Veredito

Esta entrevista confirmou que o futuro do combate a incêndios e proteção civil passa por sistemas que sejam autónomos na operação, mas subordinados na decisão. O feedback do Comandante de Setor será o pilar central da nossa próxima fase de prototipagem.